Cinema
Tela Quente: Filmagens de ‘Cine Luz’ Transformam Praça em Estúdio a Céu Aberto
Produção nacional estrelada por Fernanda Montenegro e Selton Mello ocupa centro histórico do Rio de Janeiro
Praça Tiradentes vira cenário de cinema
As filmagens do longa-metragem Cine Luz, dirigido por Karim Aïnouz, tomaram conta da Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira. A produção, que conta com elenco estrelado encabeçado por Fernanda Montenegro e Selton Mello, transformou o local em um verdadeiro estúdio a céu aberto.
A trama se passa nos anos 1950 e acompanha a história de um antigo cinema de rua que resiste à chegada da televisão. Para recriar a atmosfera da época, a equipe de produção fechou quarteirões, instalou letreiros antigos e colocou carros clássicos nas vias. Curiosos e fãs se aglomeraram nas barreiras de isolamento para tentar ver de perto os astros.
Expectativa para o cinema nacional
O filme, que tem previsão de estreia para julho de 2026, já é apontado como um dos grandes lançamentos do cinema brasileiro. Karim Aïnouz, conhecido por obras como Bacurau e A Vida Invisível, promete uma fotografia cuidadosa e uma narrativa emocionante sobre a memória afetiva dos cinemas de rua.
Além dos protagonistas, o elenco conta com atores como Marjorie Estiano e Irandhir Santos. A produção é da TV Globo em parceria com a Globo Filmes. A prefeitura do Rio informou que as gravações devem durar mais duas semanas na região central.
Cinema
O Renascimento do Cinema: Como as Salas Escuras Estão se Reinventando na Era Digital
Com a pandemia e o streaming, o cinema tradicional enfrentou desafios, mas agora aposta em experiências imersivas e tecnologia de ponta para atrair o público de volta.
Cinema em Transformação
O setor cinematográfico global está passando por uma revolução silenciosa. Após o impacto da pandemia de COVID-19 e a ascensão dos serviços de streaming, as salas de cinema tradicionais estão se reinventando para sobreviver e prosperar. Dados da Motion Picture Association mostram que a bilheteria global em 2025 cresceu 12% em relação ao ano anterior, sinalizando uma recuperação gradual.
Tecnologia Imersiva
Uma das principais estratégias é a adoção de tecnologias imersivas. Salas com telas LED de última geração, som Dolby Atmos e poltronas vibratórias estão se tornando comuns. A empresa sul-coreana CJ 4DPlex, dona da marca 4DX, já equipou mais de 700 salas em todo o mundo, oferecendo experiências com movimento, vento e aromas. Nos Estados Unidos, a rede AMC Theatres investiu US$ 1 bilhão em modernização.
Conteúdo Exclusivo
Para competir com o streaming, os cinemas estão apostando em conteúdo exclusivo. Eventos ao vivo, como transmissões de shows e esportes, além de pré-estreias de grandes blockbusters com sessões limitadas, têm atraído o público. A Marvel Studios, por exemplo, lançou seu último filme ‘Eternos’ com janela de exclusividade de 45 dias nos cinemas antes de chegar ao Disney+.
O Papel das Premiações
Festivais como Cannes, Berlim e Veneza seguem sendo vitrines importantes. A 79ª edição do Festival de Cannes, em 2026, registrou recorde de vendas de ingressos para filmes fora de competição. A premiação do Oscar 2026 também refletiu essa tendência, com vencedores como ‘A Sombra do Tempo’ tendo 80% de sua bilheteria vinda de salas de cinema.
Desafios e Oportunidades
Apesar da recuperação, desafios persistem. A pirataria digital e o alto custo dos ingressos são barreiras. No Brasil, o preço médio do ingresso subiu 15% em 2025. No entanto, iniciativas como o ‘Dia do Cinema’, com ingressos a preços promocionais, têm ajudado a fidelizar o público. Especialistas acreditam que o cinema do futuro será híbrido, combinando o melhor do streaming e da experiência coletiva.
Cinema
Cineasta brasileira vence prêmio em Cannes com filme sobre resistência indígena
Longa-metragem ‘Yãmî’ emocionou o júri e o público ao retratar a luta do povo Yanomami contra o garimpo ilegal
Diretora de Roraima conquista a Palma de Ouro de Melhor Documentário
Em uma noite histórica para o cinema nacional, a cineasta Ana Lúcia Silva, nascida em Boa Vista (RR), venceu o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Cannes 2026 com o filme ‘Yãmî: A Flor da Floresta’. A produção, que levou três anos para ser concluída, acompanha as lideranças indígenas Davi Kopenawa e Eliane Potiguara em sua resistência contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
O júri, presidido pela atriz francesa Catherine Deneuve, destacou a ‘força poética e política’ da obra. ‘É uma denúncia poderosa, mas também uma celebração da cultura Yanomami’, declarou Deneuve durante a cerimônia.
Ana Lúcia Silva, que já havia sido indicada ao Oscar de curta-metragem em 2022, dedicou o prêmio ‘a todos os povos originários que lutam por seus territórios’. O filme também recebeu menção honrosa do Prêmio do Público. A produção será exibida em agosto no Festival de Gramado e estreia nos cinemas brasileiros em setembro.
Cinema
Cineclube Itinerante Leva Sessões Grátis a Comunidades Carentes de São Paulo
Projeto ‘Tela Aberta’ exibe clássicos nacionais e internacionais em praças e centros comunitários, promovendo inclusão cultural.
Cineclube Itinerante Leva Sessões Grátis a Comunidades Carentes de São Paulo
Um novo projeto de cinema itinerante está percorrendo bairros periféricos de São Paulo, levando sessões gratuitas de filmes clássicos e contemporâneos para comunidades que não têm acesso fácil a salas de exibição. Batizado de ‘Tela Aberta’, a iniciativa já passou por seis regiões, incluindo Capão Redondo, Jardim Ângela e Brasilândia, reunindo mais de 1.500 espectadores ao longo do último mês.
O projeto utiliza uma estrutura móvel com telão, projetor e sistema de som, montada em praças, centros comunitários e até mesmo em ruas fechadas para o evento. A curadoria mescla filmes nacionais, como ‘Cidade de Deus’, de Fernando Meirelles, e ‘Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert, com internacionais aclamados, como ‘A Vida É Bela’, de Roberto Benigni. “Queremos despertar o interesse pelo cinema como forma de arte e entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão social”, explica a curadora e idealizadora do projeto, Lilian Torres.
Além das exibições, o ‘Tela Aberta’ promove debates após cada sessão, mediados por educadores e artistas locais. “A troca de ideias é tão importante quanto o filme. As pessoas falam sobre suas realidades e como aquela obra se relaciona com elas”, complementa Torres. A iniciativa é financiada por uma emenda parlamentar da deputada estadual Marina Silva (PSOL), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
Os organizadores planejam expandir o projeto para outras cidades da Grande São Paulo e do interior do estado nos próximos meses. “Nosso sonho é que cada bairro tenha seu próprio ponto de encontro para celebrar o cinema”, afirma o coordenador técnico Carlos Souza, que também é técnico de som com mais de 15 anos de experiência. O calendário das próximas sessões será divulgado nas redes sociais do projeto e conta com Ação Cultural, coletivo de produtores audiovisuais independentes.
Com o sucesso da primeira etapa, o ‘Tela Aberta’ já planeja uma segunda fase para 2027, incluindo oficinas de cineclubismo e formação de mediadores. “A semente está plantada. Cinema de qualidade deve ser direito de todos”, conclui Torres.
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