Cinema
Cineasta brasileira vence prêmio em Cannes com filme sobre resistência indígena
Longa-metragem ‘Yãmî’ emocionou o júri e o público ao retratar a luta do povo Yanomami contra o garimpo ilegal
Diretora de Roraima conquista a Palma de Ouro de Melhor Documentário
Em uma noite histórica para o cinema nacional, a cineasta Ana Lúcia Silva, nascida em Boa Vista (RR), venceu o prêmio de Melhor Documentário no Festival de Cannes 2026 com o filme ‘Yãmî: A Flor da Floresta’. A produção, que levou três anos para ser concluída, acompanha as lideranças indígenas Davi Kopenawa e Eliane Potiguara em sua resistência contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
O júri, presidido pela atriz francesa Catherine Deneuve, destacou a ‘força poética e política’ da obra. ‘É uma denúncia poderosa, mas também uma celebração da cultura Yanomami’, declarou Deneuve durante a cerimônia.
Ana Lúcia Silva, que já havia sido indicada ao Oscar de curta-metragem em 2022, dedicou o prêmio ‘a todos os povos originários que lutam por seus territórios’. O filme também recebeu menção honrosa do Prêmio do Público. A produção será exibida em agosto no Festival de Gramado e estreia nos cinemas brasileiros em setembro.
Cinema
Cineclube Itinerante Leva Sessões Grátis a Comunidades Carentes de São Paulo
Projeto ‘Tela Aberta’ exibe clássicos nacionais e internacionais em praças e centros comunitários, promovendo inclusão cultural.
Cineclube Itinerante Leva Sessões Grátis a Comunidades Carentes de São Paulo
Um novo projeto de cinema itinerante está percorrendo bairros periféricos de São Paulo, levando sessões gratuitas de filmes clássicos e contemporâneos para comunidades que não têm acesso fácil a salas de exibição. Batizado de ‘Tela Aberta’, a iniciativa já passou por seis regiões, incluindo Capão Redondo, Jardim Ângela e Brasilândia, reunindo mais de 1.500 espectadores ao longo do último mês.
O projeto utiliza uma estrutura móvel com telão, projetor e sistema de som, montada em praças, centros comunitários e até mesmo em ruas fechadas para o evento. A curadoria mescla filmes nacionais, como ‘Cidade de Deus’, de Fernando Meirelles, e ‘Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert, com internacionais aclamados, como ‘A Vida É Bela’, de Roberto Benigni. “Queremos despertar o interesse pelo cinema como forma de arte e entretenimento, mas também como ferramenta de reflexão social”, explica a curadora e idealizadora do projeto, Lilian Torres.
Além das exibições, o ‘Tela Aberta’ promove debates após cada sessão, mediados por educadores e artistas locais. “A troca de ideias é tão importante quanto o filme. As pessoas falam sobre suas realidades e como aquela obra se relaciona com elas”, complementa Torres. A iniciativa é financiada por uma emenda parlamentar da deputada estadual Marina Silva (PSOL), em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.
Os organizadores planejam expandir o projeto para outras cidades da Grande São Paulo e do interior do estado nos próximos meses. “Nosso sonho é que cada bairro tenha seu próprio ponto de encontro para celebrar o cinema”, afirma o coordenador técnico Carlos Souza, que também é técnico de som com mais de 15 anos de experiência. O calendário das próximas sessões será divulgado nas redes sociais do projeto e conta com Ação Cultural, coletivo de produtores audiovisuais independentes.
Com o sucesso da primeira etapa, o ‘Tela Aberta’ já planeja uma segunda fase para 2027, incluindo oficinas de cineclubismo e formação de mediadores. “A semente está plantada. Cinema de qualidade deve ser direito de todos”, conclui Torres.
Cinema
Caos nos Cinemas: Greve de Projetores e Ataque Cibernético Cancelam Sessões
Exibidores de todo o Brasil relatam filas gigantes e ingressos perdidos; associação estima prejuízo de R$ 50 milhões
Caos nos Cinemas: Greve de Projetores e Ataque Cibernético Cancelam Sessões
Na tarde desta sexta-feira, uma greve-relâmpago dos operadores de projetores digitais, aliada a um ataque cibernético aos sistemas de venda de ingressos, paralisou as principais redes de cinema do país. Em São Paulo, filas se formaram em frente às salas, com centenas de pessoas que já haviam comprado entradas para os lançamentos do fim de semana.
O Sindicato dos Operadores de Projetores (Sinop) afirma que a paralisação é por tempo indeterminado, exigindo reajuste salarial de 12% e melhores condições de trabalho. Já o ataque hacker, atribuído ao grupo ‘CyberCinema’, derrubou os sites e aplicativos das maiores redes, como Cinemark, Kinoplex e UCI.
Público revoltado reclama de falta de informação: ‘Comprei ingresso para ver o novo filme do Christopher Nolan e não consigo nem cancelar’, desabafou a professora Maria Silva, de 34 anos, em frente ao shopping. A associação de exibidores estima perdas de R$ 50 milhões só neste fim de semana.
O Ministério da Cultura anunciou que está monitorando a situação e pode intervir para garantir o direito do consumidor. Enquanto isso, cinemas independentes que utilizam sistemas alternativos continuam operando normalmente, atraindo o público.
Cinema
Cineclubes Independentes: O Renascimento do Cinema de Rua no Brasil
Em meio ao domínio dos streamings, iniciativas populares resgatam a experiência coletiva nas telonas e criam novas redes de exibição
O Cinema como Encontro
Enquanto as grandes redes de cinema fecham salas e os serviços de streaming dominam o mercado, um movimento silencioso cresce nas periferias e centros urbanos do Brasil: os cineclubes independentes. Esses grupos organizam sessões gratuitas ou a preços populares em espaços públicos, associações de bairro e até lares, resgatando a dimensão coletiva do cinema.
Em São Paulo, o Cineclube Beco, no bairro da Liberdade, exibe filmes nacionais e latino-americanos seguidos de debates. Já no Rio de Janeiro, o Cineclube Buraco do Lume, no Centro, promove mostras temáticas que dialogam com a história local. As iniciativas não se restringem às capitais: em cidades como Belém, Recife e Porto Alegre, coletivos estruturam programações regulares com apoio de editais municipais e do Audiovisual.
Para a pesquisadora Ana Paula Silva, da Universidade de São Paulo, o fenômeno representa uma reação à homogeneização dos conteúdos. “O streaming oferece conforto, mas isola. O cineclube devolve o prazer de ver filmes juntos, discutir, divergir”, afirma. Muitos grupos priorizam obras de diretores negros, indígenas e LGBTQIA+, ampliando a diversidade de narrativas.
O desafio é a sustentabilidade: a maioria opera com voluntários e doações. No entanto, a recente aprovação da Lei Paulo Gustavo, que destina recursos para o setor cultural, abre novas possibilidades de financiamento. Em julho de 2026, o programa Cine Mais, do Ministério da Cultura, anunciou um edital específico para cineclubes, com R$ 10 milhões em verbas.
Para o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, que já participou de sessões do Cineclube Cena, no Recife, essas experiências são fundamentais. “O cinema nasce do encontro. Se perdermos isso, perdemos a alma da sétima arte”, defende. Com o apoio de novas políticas públicas, os cineclubes podem se consolidar como alternativa ao modelo comercial, fortalecendo a cultura cinematográfica brasileira.
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